| Duofel
O trabalho do DUOFEL é resultado de 30 anos de pesquisas, ensaios e shows diversos. Luiz Bueno, paulistano, 56 anos e Fernando Melo, alagoano de Arapiraca, 51 anos, têm em comum o fato de serem autodidatas e de acreditarem com rara obstinação, no sucesso de uma proposta musical.
Luiz tocava guitarra elétrica desde muito cedo em conjuntos de baile pela noite paulistana: The Ventures, Beatles e Rolling Stones no cardápio. Fernando, apaixonado por Elvis Presley, começou como cantor de rock num conjunto formado por seus irmãos. Dali passou para o baixo elétrico e logo abandonava a escola partindo para Maceió, onde em pouco tempo tornou-se um dos melhores músicos da região. O encontro dos dois aconteceu em São Paulo, onde Fernando veio tentar a sorte em 1977. Passaram a tocar juntos, Fernando, baixo e Luiz, guitarra no grupo de rock progressivo instrumental "Boissucanga". A situação financeira difícil determinou o final do grupo mas a identificação entre Fernando e Luiz estava estabelecida e a vontade de fazer música juntos permaneceu. No início de 78 começaram a desenvolver o trabalho com dois violões. Depois de um ano numa viagem pelo Nordeste, onde num roteiro mambembe levados ao sabor do vento, tocaram em coretos, praças e calçadas buscando a brasilidade, descobriram novos timbres. De volta a São Paulo, no fim de 79, passaram a tocar no circuito alternativo da cidade. Nessa época, Luiz já havia abandonado seu emprego de arquiteto e assim como Fernando, vivia apenas de música.
Tocaram em circos, bares e churrascarias, acompanhando cantores. O trabalho do duo era desenvolvido paralelamente, até que Tetê Espíndolla chamou-os para fazer parte de seu grupo. Nessa fase surgiu o nome "DUOFEL", que significa: dupla Fernando e Luiz. Com Tetê fizeram shows memoráveis pelo Brasil inteiro, gravaram um Lp onde arranjaram 7 das 10 músicas e fizeram também o arranjo da premiada "Escrito nas Estrelas". Na tournée de lançamento do disco, a participação especial do DUOFEL foi destacada pela crítica. Em 86 lançavam seu primeiro disco, de forma independente: "DUOFEL DISCO MIX". Também neste ano, venceram o Festival de Música Instrumental de Avaré. em São Paulo, com "A Fuga de Djanira Metralha II movimento". No ano de 89, se apresentaram ao lado de Arrigo Barnabé e Tetê Espíndolla no "Belga Jazz Festival", em Bruxelas. O baterista "Nenê", brasileiro radicado em Paris, assistiu o espetáculo e imediatamente os indicou ao produtor e jornalista alemão Rainer Skibb, que por sua vez, os levou à gravadora Line Music, de Hamburgo. O resultado foi o CD "As Cores do Brasil", em 1990, com a participação do percussionista João Parahyba, e posteriormente lançado no Brasil pela gravadora Eldorado. O CD foi alvo das mais elogiosas críticas dos severos jornalistas alemães, que anunciaram ser do DUOFEL "a nova música do Brasil". Ao mesmo tempo, a "Associação Brasileira de Radiodifusão" aponta o DUOFEL como "fenômeno de mídia", em simpósio ocorrido em São Paulo.
Em 92 o multi-instrumentista Hermeto Pascoal, os convida para participarem em todos os shows pelo Brasil, como convidados especiais. O "bruxo", ao assisti-los, assim os definiu; "o DUOFEL não é um duo, é um trio, às vezes um quarteto e outras uma banda inteira, por isso acho que deveriam mudar o nome para TRIO DU'CA”.
Em 93 lançaram o terceiro álbum com o mesmo nome da dupla "DUOFEL", pela gravadora Camerati. Neste CD contaram com as participações de Oswaldinho do Acordeon, Duda Neves nas programações eletrônicas e Edu Helou nos teclados. Pela primeira vez em disco, gravam músicas de outros autores, com arranjos próprios: Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Lourival Carvalho, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Theo de Barros. Mais uma vez desperta um sentimento unânime de crítica e público, quer pelo repertório, quer pela maneira personalíssima de se tocar o mais popular instrumento brasileiro. Classificado pela revista "Manchete" como o melhor lançamento de música instrumental em 93, o CD recebe 5 indicações para o VII Prêmio Sharp de Música, nas categorias: melhor cd instrumental, melhor solista (Fernando e Luiz) e melhor música instrumental com 2 músicas indicadas; com "Do Outro Lado do Oceano", arrebatam o prêmio de Melhor Música Instrumental.
Na sequência Sebastião Tapajós os convida para participarem do "Brazilian Guitar Night" por nove cidades da Europa (Alemanha, Áustria, Bélgica e Liechtenstein). Os pedidos de "bis" por duas ou três vezes, por onde se apresentaram, ratificam a qualidade da música destes dois talentos. Sebastião Tapajós, um mito do violão brasileiro na Europa, se diz surpreendido pelo trabalho do DUOFEL, tal qual Paulinho Nogueira, fã incondicional da dupla. Mas o ano ainda reservava outra boa novidade: Hermeto Pascoal os convida para abrirem sua participação no VIII Free Jazz no Rio de Janeiro e São Paulo, o mais importante festival de Jazz da América Latina que teve sua ultima ediçao em 2001. E é nesta participação de 20 minutos que encantam críticos, platéia e principalmente músicos como o percussionista indiano Badal Roy, integrante do grupo de Ornette Coleman. Badal, um músico experiente que gravou e participou de shows com os maiores expoentes do jazz contemporâneo como: Miles Davis, John McLaughin, Andréas Vollenweider, Dave Liebman, Dizzy Gilespie, dentre tantos outros, se diz impressionado com a carga artística e sentimental em cada música e sugere sua participação em algum trabalho futuro. Badal viaja aos EUA termina seus compromissos com Ornette Coleman e volta ao Brasil para juntos então celebrarem este novo encontro de músicos com o show "Espelho das Águas". O resultado é uma tournée por São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba culminando com a gravação do novo CD "Espelho das Águas - Ao Vivo" durante temporada no teatro Crowne Plaza, em São Paulo, lançado em Agosto de 94 pela gravadora VELAS. O CD recebeu da revista "BIZZ" a indicação de "Melhor Lançamento Instrumental" de 1994. Concorreu também com três indicações ao 8º Prêmio Sharp de Música nas categorias; MELHOR MÚSICA INSTRUMENTAL onde novamente concorreram com duas musicas indicadas, e MELHOR SOLISTA para Fernando Melo.
No ano de 96, estiveram em sua primeira tournée pelos Estados Unidos, num circuito "americano para americanos", incluindo alguns dos melhores clubes de Jazz, como "Knitting Factory" em Nova York e com Itamar Assumpção e Na Ozetti dividiram shows pela França e Alemanha.
O ano de 96 gravam nos EUA, no estúdio particular de ORNETTE COLEMAN, a convite do próprio, o CD "Kids of BRAZIL", que com arranjos de HERMETO PASCOAL, sua música ganha novo sabor rítmico e melódico. "Kids of BRAZIL" traz nove composições de Fernando e Luiz e ainda um arranjo para Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.
A qualidade do novo CD é ratificada com novas indicações no 10º PRÊMIO SHARP DE MÚSICA nas categorias; MELHOR CD INSTRUMENTAL e MELHOR ARRANJO INSTRUMENTAL que conferiu a premiação a Hermeto Pascoal.
No ano de 97, outro momento importante acontece com o convite da direção geral do festival de jazz "JAZZ À VIENNE", em Lyon, França, para prestar uma homenagem postuma ao violonista frances Michel Jules e diante de oito mil pessoas o DUOFEL sentiu uma de suas maiores emoções em palco e ainda pode saborear mais uma vez o sucesso de sua música entre o público e crítica Européia.
Em 98 iniciaram novas composições para celebrarem os vinte anos de existência. Criaram um projeto que incluia a gravação de quatro Cds; dois do DUOFEL e outros dois, solos. O projeto levou dois anos mais para ser concluido.
Ainda neste ano retornam ao circuito Norte Americano participando do festival "CENTRAL PARK SUMMERSTAGE", no Central Park em Nova York e outra vez no Knitting Factory.
Em Outubro de 99 lançaram o primeiro CD do projeto dos vinte anos; "Atenciosamente, Duofel", que homenageia músicos brasileiros e internacionais que de alguma forma se tornaram fundamentais nesta trajetória. Participam das gravações o baterista Nene, Michel Freidenson, Teco Cardoso, Caito Marcondes e Silvio Mazzucca Jr. e pela mesma gravadora, TRAMA, lançaram em 2000 o segundo CD; “DUOFEL 20”, gravado “ao vivo” no Teatro Municipal de São Paulo, com a participação especial de Hermeto Pascoal e Oswaldinho do Acordeon e ainda Fabio Pascoal e Luiz Carlos de Paula.
Concluindo o projeto vinte anos, Luiz Bueno lançou seu CD solo “Música” pela gravadora MCD World Music, em 99 e Fernando Melo lança em 2000 o CD “Forró de Violão” pela gravadora Eldorado. Nestes trabalhos cada um mostrou seu lado pessoal que não cabem na música do duofel.
No ano de 2000 participaram do Festival de Guitarres na França e concluindo a tournee se apresentando em Monaco para seleta e fria plateia; desta vez se depararam com uma situação adversa, situação esta revertida durante os 50 minutos do concerto e culminando com o convite para abrirem o Festival de Montreux na sala para espetaculos acusticos para o ano seguinte.
Em 2001, desfrutaram do prazer concedidos aos grandes se apresentando na Sala São Paulo e Praça da Paz no Parque do Ibirapuera em São Paulo ao lado da Orquestra Jazz Sinfonica interpretando algumas de suas composições. Foram finalistas do Prêmio VISA de MPB e participaram do 35o Montreux Jazz Festrival na Suiça.
O ano de 2002 foi dos mais intensos da dupla no qual produziram material para três diferentes projetos de Cds que inclui desde a inserção de novos instrumentos tais quais a viola nordestina de 10 cordas e o violão tenor de quatro cordas como também novas experiências voltadas para a música eletrônica.
Parte deste material foi criado no Amazonas onde passaram durante 10 dias fazendo uma vivencia na cidade de Manaus, objeto de inspiração para o Cd “PRECIOSO”
Em Novembro de 2005 o CD PRECIOSO e a gravadora FINE MUSIC, novo empreendimento da dupla, foram lançados em Sao Paulo com sucesso absoluto de publico.
Em maio de 2006 lançaram o mais novo álbum (duplo), “Duofel Experimenta”, aonde mostram experiencias com a musica eletronica em temas muito originais, com os produtores Manoel Vanni, Franco Jr. e Patife no cd “Lounge Eletronico” e ainda uma jam session gravada em Nova Jersei, EUA, juntamente com Badal Roy nas tablas e Daniel Moreno na percussão e efeitos. Neste cd, “Playing at Home”, nos brindam mostrando sem mistérios e sem pudores, seu processo criativo, num resultado surpreendente.
Em 2008 comemoram 30 anos de carreira com uma apresentação de suas composicões com a Orquestra Sinfonica da Usp- OSUSP sob regencia do maestro Carlos Moreno; no Auditório Ibirapuera.
- lançam o CD “Olho de Boi” com a trilha sonora do filme encomendada por seu diretor Hermano Penna.
Os fatos comprovam o que Fernando Melo e Luiz Bueno sempre acreditaram; o sucesso de uma proposta musical verdadeira e diferente; a “MÚSICA PLENA do DUOFEL”.
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